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Medicina dos Horrores: A História de Joseph Lister | Lindsey Fitzharris


Título:
 Medicina dos Horrores
Autor: Lindsey Fitzharris
Editora: Intrínseca
Páginas: 320
Ano: 2019
Gênero: não-ficção / biografia
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Seja aqui no blog ou no Instagram, eu não costumo falar muito sobre medicina, mas ela é a carreira que sonho em seguir desde a infância. Por isso, Medicina dos Horrores era um livro que despertava muito o meu interesse, como tudo relacionado ao assunto.

Primeiro devo dizer que, caso o seu desejo de lê-lo seja guiado apenas pelo título e pela edição chamativa, talvez você esteja esperando uma história de fato aterrorizante e sangrenta. No entanto, apesar de alguns relatos de fato sangrentos a respeito de certos procedimentos cirúrgicos do século XIX, o foco da obra é a vida e os feitos de Lister;

Inicialmente, Lindsey Fitzharris nos apresenta ao jovem e curioso Joseph Lister, que posteriormente viria a se tornar o renomado e admirado cirurgião hoje conhecido em todo o mundo. E esse vislumbre da vida de Lister antes de vir a ser o grande homem que se tornou foi, ao meu ver, muitíssimo importante para a compreensão de sua mente brilhante e da formação de seu caráter.

“Os métodos dolorosos são sempre os últimos remédios nas mãos do homem que tem verdadeira competência em sua profissão; e são o primeiro, ou melhor, o único recurso daquele cujo conhecimento se restringe à arte de operar.”

Medicina dos Horrores nos leva, aos poucos, a uma imersão no cenário em que Lister vivera o início de sua carreira: anfiteatros cirúrgicos e enfermarias imundos, com cirurgiões que - por falta de conhecimento - não se preocupavam com a higiene do ambiente em que realizavam suas operações ou dos equipamentos dos quais faziam uso. A cirurgia era, até então, considerada um trabalho braçal. Totalmente diferente do que vemos hoje.
Como resultado os hospitais, que deveriam salvar vidas, tinham taxas altíssimas de mortalidade devido a doenças infecciosas, o que rendeu a eles o título de "Casas da Morte". E Joseph Lister, um homem muito a frente do seu tempo, sonhava em transformar a cirurgia em uma arte que salvasse mais vidas do que perdesse, e é a isso que ele dedicou toda a sua vida.

A compreensão dos feitos de Lister e de sua importância, o transformou em uma das personalidades que mais admiro atualmente. E em sua época, Lister também foi alvo de grande admiração... mesmo que o caminho para conquista-la, para que sua pesquisa fosse reconhecida, não tenha sido nem um pouco fácil.

Aliás, nos dias de hoje, me parece até mesmo absurdo pensar que, após toda a pesquisa do cirurgião em busca de uma forma de prevenir infecções, pesquisa essa que vinha mostrando resultados satisfatórios, pudesse haver tantos colegas de profissão de Joseph Lister que se opusessem ao que ele propunha. Mas essa era a realidade: qualquer avanço científico na área da cirurgia era olhado com desconfiança por seus praticantes.

“Embora a geração mais velha de cirurgiões se dispusesse a experimentar o tratamento antisséptico listeriano, era difícil que aceitasse a teoria microbiana da putrefação, que estava no cerne do sistema de Lister. Enquanto os cirurgiões continuassem a se enganar quanto à causa da infecção, era improvável que aplicassem corretamente o tratamento”

Sempre me perguntei se ler biografias seria uma experiência agradável para mim... com Medicina dos Horrores, descobri que a resposta é "sim, esta pode ser uma experiência incrível" - desde que, é claro, eu esteja aberta à ela e interessada em seu conteúdo.
Apesar de ter considerado esta uma leitura densa, devido à enorme (mas necessária) quantidade de detalhes e nomes aos quais é necessário se atentar, o que torna a leitura lenta, a experiência foi muito agradável e enriquecedora.

Medicina dos Horrores obviamente não é uma leitura que agradará à todos, mas tenho certeza que satisfará os interessados em conhecerem um pouco da história da cirurgia.

Sobre a edição: A capa do livro não está entre as mais bonitas, mas certamente chama atenção, tanto pelo design, como pelo fato de ser capa dura. A diagramação é ótima, com espaçamentos de tamanho perfeito e fontes que permitem uma leitura agradável à visão. Além disso, a gramatura do papel é boa, o que faz com que as letras de uma página apareçam pouquíssimo do outro lado da folha.

P.S: algo que gostei muito na leitura, mesmo que tenha ficado em segundo plano, foi a relação incrível que Joseph Lister mantinha com o pai.

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