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O Misterioso Caso de Styles | Agatha Christie

24 de janeiro de 2020

"Não há crime sem motivo."
Não tenho o hábito de ler romances policiais, pois não tenho muitos títulos pertencentes à esse subgênero, mas é um tipo de leitura que me agrada muito. E é justamente por gostar de romances policiais que sempre tive a curiosidade de conhecer o trabalho da consagrada autora Agatha Christie.

No fim de 2019 tive o prazer de conhecer um projeto chamado Lendo Rainha Christie, que teria início em janeiro de 2020, do qual hoje faço parte. Nosso objetivo no projeto é ler e discutir todas as noventa e três obras da autora, seguindo pela ordem cronológica de publicação.

O Misterioso Caso de Styles foi a primeira obra de Agatha Christie a ser publicada, em 1920, pela editora John Lane. A edição que escolhi para ler foi publicada em 2014, pela editora Globo Livros.
Três coisas das quais gostei muito nessa edição foram: a capa, que é bem chamativa; a Introdução escrita por John Curran, na qual descobri diversas curiosidades sobre a obra e também sobre a autora; e os mapas da casa onde tudo acontece, que ajudam a compreender melhor a história.

Preciso confessar que, nas primeiras páginas de O Misterioso Caso de Styles, acompanhar a narrativa criada por Agatha Christie não foi uma tarefa fácil. Afinal, a história conta com a presença de muitos personagens, que se referem uns aos outros, na maior parte das vezes, com o uso de Mr., Mrs., ou Miss + sobrenome do personagem. E, por mais que esses detalhes reflitam como era a sociedade da época, me confundiram bastante. Cheguei a pensar que não conseguiria gostar da história, mas tive a ideia de fazer anotações sobre quem eram os personagens, e a partir de então não demorou para que eu conseguisse mergulhar na leitura.
"Ele tinha ouvido alguma coisa que o afetara fortemente, Mas o que seria? Normalmente, não me considero uma pessoa estúpida, mas devo confessar que nada de extraordinário chamara minha atenção."
O Misterioso Caso de Styles é narrado em primeira pessoa por Mr. Hastings, que começa a história contando como casualmente se encontra com John Cavendish, um velho conhecido, que o convida para passar uma temporada em sua casa. Ele mal podia imaginar a misteriosa trama da qual então faria parte.
Mrs. Inglethorp, madastra de John e Lawrence Cavendish, herdou a propriedade de seu falecido marido e tem todo o controle sobre o patrimônio da família. Seu novo marido é Alfred Inglethorp, um homem vinte anos mais novo, sobre o qual ela e a família pouco sabem. E é claro que tal falta de informações sobre o passado de Mr. Inglethorp gera desconfiança em todos os moradores de Styles.

Em uma certa noite a campainha do quarto de Emily Inglethorp é tocada, e todos podem ouvir o alvoroço dentro de seu quarto, mas não há nada que possam fazer para ajudá-la, pois a porta está trancada. Mrs. Inglethorp então morre, e a última palavra que sai de seus lábios é o nome do marido. Assim, a tensão em Styles só aumenta.
A grande dúvida que paira sobre todos os moradores da casa é: Emily teve uma morte natural, ou foi vítima de um envenenamento?
E é então que Mr. Hercule Poirot, um excêntrico detetive belga, entra em cena. Com a permissão da família de Mrs. Inglethorp, ele é convidado para investigar as circunstâncias da morte da mulher.
Afinal, quem além do marido teria motivos para matá-la? Como tudo poderia ter acontecido?

"Saber que um homem é culpado é uma coisa; prová-lo é outra completamente diferente."
Sempre que Hastings descrevia Hercule Poirot fisicamente, era uma imagem de Charlie Chaplin que surgia em minha mente. Poirot é um homem astuto, simpático e inteligente, dono de uma ótima intuição. Ele começa a investigar evidências, entrevistar testemunhas, e tudo é contado ao leitor por Mr. Hastings. Assim, somos incentivados a criar teorias, e passamos a tentar prestar atenção a todos os detalhes que possam nos levar à identidade do verdadeiro assassino.

A narrativa criada por Agatha Christie é, sem dúvidas, espetacular. Cada fala ou movimento dos personagens é usada para levar o leitor a criar teorias e a questionar o que acreditava ser a verdade. Agatha consegue fazer com que duvidemos de todos e, apesar das evidências estarem bem diante de nossos olhos, o mistério é mantido até o fim.
Depois de algum tempo de leitura, quando a trama começa a realmente acontecer, é impossível não mergulhar de cabeça nesta história. Cada momento narrado por Mr. Hastings gera no leitor um desejo implacável de devorar cada palavra escrita, até que o grande mistério seja revelado. Afinal, quem matou Mrs. Inglethorp?

A escrita de Agatha é leve, ela flui naturalmente e faz com que você mal perceba o tempo passar. É uma narrativa inteligente, bem planejada e bem escrita. Cada personagem tem detalhes particularmente interessantes, que te fazem querer descobrir mais.
Acompanhar Hercule Poirot desvendando o mistério de Styles é uma experiência sem igual. Me alegra saber que esse curioso detetive belga estará presente em outras histórias narradas pela autora, e isso me faz desejar ler mais de suas obras.

Aproveitei o livro para cumprir também o desafio ler um clássico com mais de 200 páginas do projeto 2020 Lendo Clássicos, que está sendo incrível.
E você, já leu O Misterioso Caso de Styles ou alguma outra obra da autora?

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